28 janeiro, 2009

eu, na casa escura. a comida no fogo. a língua queimada. o coração na mão. escorrendo, morrendo de amor. morrendo. só morrendo. a solidão é um bicho que come a minha fome. eu, devorando as lágrimas. grito de morte. chorar sozinha na faca afiada da dor. como soluços espessos. engulo os braços, os pelos, os cheiros do adeus. eu não vou ficar aqui nunca mais. fui embora quando ela fechou a porta. eu, invisível. ódio e tesão. amor é vertigem.

27 janeiro, 2009

tenho medo de sofrer acusações
e
tenho medo de ser uma grande filha da puta


- instinto de preservação, me disseram

21 janeiro, 2009

seguinte: tenho duas semanas pra resolver a minha vida de vez [de vez pra esse ano, pelo menos]; por isso vim dizer que vou ficar esse tempo sem postar aqui no blogue e sem visitar outros blogues e me privando o máximo de outras formas de contato. não vou dar tipo uma última passada nos blogues que não tenho ido esses dias porque só vim aqui deixar esse recado rápido. portanto, avante muchachos. me esperem de volta, ou não.

20 janeiro, 2009

'paixão é a grossa artéria jorrando volúpia e ilusão, é a boca que pronuncia o mundo, púrpura sobre a tua camada de emoções, escarlate sobre a tua vida, paixão é esse aberto no teu peito, e também teu deserto.'


* passa longe de mim, capeta!

19 janeiro, 2009

marry me

eu parei no tempo quando estendi a mão pra ela e disse: vem. se eu soubesse que ia ser assim talvez não o tivesse feito. ou sim, de qualquer forma. é totalmente completamente inutilmente impossível tentar descrever um décimo de cada coisa que se passou, aqui agora. é desnecessário também dizer isso pra qualquer pessoa que não seja eu. mais uma vez é só aquela corriqueira tentativa de divisão, da minha pessoa tão cheia de peças soltas. eu parei no tempo desde que ela entrou na minha vida numa tarde provavelmente ensolarada do final de outubro. e chegou trazendo uma coisa densa, uma coisa indizível, intangível e todos os in que possam imaginar. os amores anteriores nunca conseguiram isso. os possíveis e os platônicos. se bem que amor platônico não é amor, é burrice. e os amores posteriores também não conseguiram. não que fossem amores realmente, mas enfim. por mais que eu tenha ficado confusa do que sentia por ela e esses malditos outros amores estivessem ali por perto querendo atenção, ela nunca deixou de ser mais forte que todos eles juntos. é, é bonitinho falar assim, mas não é uma declaração de amor. absolutamente não gostaria que ela lesse isso e sei que não vai ler. e acho ótimo. agora tudo acabou e não há espaço pra palavras. e eu também incrivelmente me pego pensando que não quero, essas palavras. eu só queria dizer - pra vocês e não pra ela - que essa coisa densa que ela trouxe (e que eu mandei embora depois que acabou), essa coisa densa é tipo uma areia movediça, não. tipo quando tem sol no final da tarde e começa a chover fino, tão fino que o que dá pra ver são só as partículas de água cortadas pela luz, coloridas pela luz, fodidas pela luz. ainda assim essa imagem não é suficiente. é a imagem + mais a sensação de estar preso. preso do tipo presença, envolvimento. se bem que as vezes eu me sentia tão presa, do jeito ruim, tão enjaulada.
ok, desisto de falar da coisa densa. é só que, depois que acabou, definitivamente pra mim, eu comecei a mandar embora todas as coisas dela e essa coisa densa, que foi junto. estar longe dessa coisa densa é o que me mantem afastada dela e me faz não querer voltar. aí, por isso que agora vem uma putinha duma música da st. vincent que eu nem conheço desde o começo com ela mas só agora quase no final e só porque tem um refrão idiota que fica repetindo marry me john e a voz da mulher é quase um soluço, é que eu me deparo de novo com a coisa densa. é que eu lembro dela e de tudo denso (denso que é intenso) que houve entre nós. mas, finalmente, eu posso dizer que não estou chorando (!) porque chorar faz parte da coisa densa e, mais finalmente ainda, eu estou (apesar de) conseguindo manter certa distância dessa coisa.
e aí pra você ver, que coisa.
P.S. o pior é tipo agora, quando me dá uma dor na mão por causa dos socos que eu dei nela, digo, na parede. (posted in quanta alegria) haha

15 janeiro, 2009

mãaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaae me segura
se tem uma coisa que aprendi na vida sobre o amor é que: o amor correspondido faz a pessoa regredir, e o amor quando não correspondido, faz a pessoa evoluir. simples assim. por isso que, ao contrário do que o caetano disse, eu só vou gostar de quem não gosta de mim. ê vidão.

14 janeiro, 2009

Excertos do Mofo #1

debaixo da mesa
há uma garrafa de uísque
risque rabisque
esse velho passado novo

cada dia é uma mentira
os corpos enfileirados
num buraco torto
e a lápide dizendo
alento, meu bem

[...]

21.11.04

antes de tudo

quero dizer que vou começar de novo um troço aqui que tinha colocado no outro blogue, o do refrigerador. é o EXCERTOS DO MOFO. o que significa que: quanto tô por aqui, de bobeira, com vontade de escrever e sem nada passando pela cabeça eu vou pegar algum poema das antigas (deu pra sacar o trocadilho do nome?) que eu ache bacana e que em nada precise ter a ver com algum contexto do que atualmente se passa em mi vida portando não façam associações bizarras; recortar a parte que eu gosto, se nao gostar dele inteiro & clicar em publicar postagem. ou seja, leiam. críticas e tomates são sempre bem vindos.

13 janeiro, 2009

a única vantagem do casamento é que você pode andar pelada dentro de casa sem ferir a moral alheia.

09 janeiro, 2009

é baby, eu tô aqui, um animal ferido no meio da estrada. passaram por cima e agora tudo pra fora sangue tripas e coração. o sol quente vai secando a boca e os olhos. areia no deserto. canalizar. é esse o ponto. há uns dias tudo o que eu fazia era tomar um bom banho, gelado no calor, com lágrimas doloridas lavando tudo e nem uma safadeza passando na cabeça. sozinha. a consciência ambiental indo pro ralo junto com aquela água toda. e eu não escorria junto. a dor passava que era uma beleza. agora aqui esse blogue, tadinho, vai ficando cheio de farpa e eu não posso evitar. é agora, é aqui. repito de novo e que se foda. ontem era vento olhos claros e folhas no final da tarde curitibana. agora é rocket rocket e água gelada enfiada na boca e, merda, meus dentes são sensíveis.
e hoje é sexta então pode ser que o final de semana seja inteiro numa caverna escura e úmida. ok, go.
e o pior de tudo é quando você sabe que não pode contar pra ninguém e com ninguém.

08 janeiro, 2009

talvez seja hora de ir embora. foi a primeira coisa que pensei agora que comecei a ouvir roads, do portishead. há uma urgência de mudança e até o orkut falou isso pra mim hoje, velho sábio. mudou muita coisa no último mês, mas mudanças negativas custam a ser bem vindas e não entusiasmam ninguém. é uma mudança podre até, do tipo ok acabou agora é continuar seguir a vida. podre e pobre. e além do mais, seres humanos como eu não tem a capacidade de provocar mudanças, apenas são suscetíveis (?) à elas. talvez seja o cúmulo da incompetência mesmo. por isso é que fico torcendo pra passar um furacão na rua e me levar junto. pode ser pra uma ilha distante, quase deserta e gelada. e sim, esse poste com cara de fossa tem motivo. dizem que não se deve cantar vitória antes do tempo. então da próxima vez que eu estiver bem humorada e com a vida 'cheia de possibilidades' eu vou calar a minha boca e ficar aqui no escritório cantando sozinha as minhas músicas-felizes e pulando até chegar perto da janela do segundo andar. vertigem. acho que nem sempre é bom dividir felicidade.

07 janeiro, 2009

tenha cuidado comigo às 7:41, às 16:59, e às 22:07.
de resto tudo tranquilo.
uma pata de elefante mudou a minha vida. desde ontem -data que coincide incrivelmente com o fato de ter ouvido de primeira uns dois cds da banda que há tempos eu ouvia falar e nunca mas nunca tinha parado pra ouvir e que lembra o som do macaco bong- tenho quase tido uns surtos de otimismo e 'alegria de viver', até saiu um arco-íris (?) ontem depois da chuvinha com sol no final da tarde e eu quase fui atrás pra ver onde ou melhor, o que tinha no fim. sei lá se é por causa da batida animadinha que tem a banda, mesmo as meio melancólicas são muito bonitas, mas a reação que causam é parecida com o que li hoje do caio fernando, que diz algo do tipo que a música tal dá vontade de sair correndo o vento na cara e não sei o que mais, porque eu não lembro mesmo.
mas o que é bom nessa história, é ver o vento mudando de rumo. ver as desgraças passando e a 'vida sorrindo de novo pra mim'. e mesmo que eu odeie o sol com o seu calor maldito, tenho que admitir que graças a ele -quando estou a salvo em uma sombra olhando de longe- meu humor fica very up e dá até vontade de sair por aí com um sorriso bonito no rosto. quase tanto faz poder ou não ter um felino em casa, que eu não posso mais, porque os amigos estão dando as caras de novo. anyway, isso prova que nem tudo na vida tá perdido.

06 janeiro, 2009

eu não vou abrir o berreiro no meio da sala vazia no meio da novela com a patrícia pillar rindo da minha cara no meio da roupa suja espalhada no chão e da poeira de quase um mês.
'when daddy comes home you always start a fight