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23 setembro, 2013

desenterrando palavras

dia de pedir dinheiro emprestado. mamãe no telefone estava sentimental. não tive coragem. lembrou-me que faz hoje 7 anos que me mudei. que saí de casa. que estou onde estou. não mais debaixo da sua asa. céus, estou sentimental também?

esse lance de datas significativas, de marcos temporais, de coisas-que-a-gente-deve-lembrar me fizeram desenterrar um texto guardado na caixa do email há 3 anos. que eu nunca publiquei sabe se lá porque. talvez não era o momento, talvez eu esteja mística hoje. uh.

                                                                                                                                                                 

1º de Abril de 2010

Tomo cuidado ao escrever sobre este papel que papel que não me pertence (analogias baratas, as minhas, my dear). Há uma mancha nestes rabiscos mas insisto em continuar. Quinze anos passam enfileirados sob meus pés. Pequenas quedas d'água entre pedras que não ouso tocar. Quinze anos, eu penso, meu deus. E isso é mais uma construção fonética do que uma alusão divina. A sustentabilidade das coisas me assusta. Ao contrário das pequenas borboletas. Cambaleantes sobre as folhas no chão. Insisto em reescrever essa história. É a sombra da minha mão no papel cor-de-rosa que insiste em relembrar o irreversível. Mal vejo o que ela escreve por baixo da própria silhueta. A grafia enfraquece a cada esforço mental. Tenho medo de formigas. E isso não é uma mentira.

                                                                                                                                                                  

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??????????????

deixo pro fim uma citação

"É preciso (mais uma vez) uma nova geração que saiba escutar o palrar dos signos." Ana C.

09 setembro, 2013

Uma sombra passa por mim e vela meu sono. O dia correrá ileso, mas ficará na memória como o que começa. E sempre há pra onde ir depois que a luz se apaga. Mas hoje tem sol, e mesmo depois que anoitecer a luz continuará por dentro. É um fruto, o gosto e o cheiro espalhados no peito. Um predador à espreita, com seu olhar satisfeito. Essa dor marcada na boca é feito ouro, forma oca, que se dissolve no todo. É puro o instante do desejo.

04 setembro, 2013

ok, vamos filosofar um pouco. tem gente, tem muita gente, gente irritante, que promete um mundo que não pode te dar. alguém realmente pode te dar alguma coisa? tem gente que se encanta com você, que faz você se encantar por ela, que te promete coisas que não pode cumprir, mas promete mesmo assim e você aceita. que acredita em você e te chama pra voar. um voo conjunto e sem escalas. um voo rasante e liberto. se joga com você do abismo e promete não soltar tua mão por nada. promete coisas que sabe que não pode cumprir, e promete mesmo assim. o abismo é fundo, não se vê o chão. você plana e alça voo alternadamente. você tem todas as promessas do mundo pela frente. gente que começa lentamente a cortar suas asas, milímetro por milímetro, com uma tesoura sem ponta e sem fio. gente que diz que é necessário, que isso será um aprendizado. você sente a dor da asa cortada, um espasmo atravessa seu corpo e você pensa em voltar para a beirada do abismo. você quer apenas observar as coisas de um lugar seguro. gente que olha nos teus olhos e diz que vai ser melhor assim, que algumas pontas estavam atrapalhando seu voo, que você precisa mudar. você aceita. o resto é uma progressão desenfreada em que você acompanha a própria amputação num misto de delícia e dor. você vai perdendo altura e achando normal. que é para o seu bem, que você está se tornando uma pessoa melhor. você não vê os fragmentos que perdeu pelo caminho. eles flutuam no ar acima de sua cabeça, mas você só sabe olhar pra baixo. quando o baque surdo contra o solo te acorda, você sente a espinha dorsal deslocada pela velocidade da queda. o seu corpo está paralisado e a única coisa que você consegue fazer é abrir os olhos. você está só. você percebe suas asas cortadas até o talo e o sangue seco despontando das omoplatas. ninguém segura sua mão. você vê o céu azul repleto de nuvens e vê seus fragmentos se deslocando pelo espaço, mas não consegue enxergar o pico da montanha, agora perdido entre outros sonhos. você sente o peso do corpo sem asas, o desequilíbrio ao levantar. e você começa a subir pelas encostas rumo à beira do abismo. você está fraco. você respira pausadamente entre um passo e outro. você sobe devagar e se distrai pelo caminho. contempla uma borboleta que passa, uma flor selvagem que cresce. você sobe sozinho. se você encontrar gente no caminho, afastará todas as tesouras e promessas. se não for suficiente, empurrará gente para a morte, arrancando suas asas sem piedade. você manchará as mãos de sangue por gente que te promete coisas que não pode cumprir. você cortará o mal pela raiz e subirá a montanha pleno de felicidade.

15 julho, 2013

A paixão se alimenta de sombras e de sóis.

17 novembro, 2009

Qual é a mensagem subliminar quando você começa a gostar muito de dormir abraçado depois do sexo?

16 agosto, 2009

sobre L

o que uns chamam extremismo, eu chamo voragem

04 fevereiro, 2009

eu como você

tendo em vista os últimos acontecimentos que assolaram a esta pessoa que aqui vos fala, acho digno, necessário e, porque não dizer, letal, abrir ao mundo a seguinte afirmação: não acredito no amor. (pausa dramática para os aplausos e/ou expressões de espanto/horror/tesão com a sombrancelha arqueada). obviamente não estou falando do sentimento (dito nobre) em toda sua vastidão. tenham amigos e os amem. amém. refiro-me ao amor conjugal. essa armadilha a qual dificilmente nós, pessoas de boa índole, deixamos de cair pelo menos uma vez na vida. não faz sentido algum ter alguém pra amar. o amor mata, sabiam? e você não quer morrer assim de lambuja, quer? aliás, isso poderia ser um bom slogan pros suicidas de plantão. "quer se matar? se entregue ao amor. é a maneira mais doce de se chegar até a morte. (pilhas não inclusas)." meu bem, alou, eu tô falando sério. não se iludam com essa história de encontrar a pessoa certa, casar e ter filhos, ou apenas que é possível ter (do verbo possuir, mesmo) alguém que tenha compreensão absoluta do seu eu interior. é tudo balela. é tudo exploração americana em cima do pobre coitado padre Valentin pra vender cartões no dia 14 de fevereiro. falando nisso, tá perto hein. e acreditar que o amor é possível é tão inocente e irracional quanto jogar na mega sena e pensar que vai ganhar. foi o Wedekind que disse "amor não existe, é tudo interesse". concordo. e digo ainda que as boas relações conjugais devem se basear em carinho e sexo. nada de amor. pff. chega de iluões sobre o amor, meus queridos reles mortais. vou dizer a verdade pra vocês. amor é uma coisa que a gente come no pão com manteiga. amor é aquela barata nojenta que você esmaga com a sola do sapato. amor é uma puta que te seduz de madrugada, vai pra tua casa e rouba todo o teu dinheiro. e por hoje é tudo, pessoal.

27 janeiro, 2009

tenho medo de sofrer acusações
e
tenho medo de ser uma grande filha da puta


- instinto de preservação, me disseram

15 janeiro, 2009

se tem uma coisa que aprendi na vida sobre o amor é que: o amor correspondido faz a pessoa regredir, e o amor quando não correspondido, faz a pessoa evoluir. simples assim. por isso que, ao contrário do que o caetano disse, eu só vou gostar de quem não gosta de mim. ê vidão.

13 janeiro, 2009

a única vantagem do casamento é que você pode andar pelada dentro de casa sem ferir a moral alheia.