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02 maio, 2009

Procuro no escuro os traços da boca, beijo, mordo, me concentro. Não encontro. Boca que desmancha, prende-se na minha, pequena, sagaz, fruta madura, morango desmanchado. Eis o processo de encontrar-se novamente. Mas perdida em poros, sons, tempo-espaço, densidade, lágrimas e gotas de chuva. Lambidas na janela do quarto. A cama ausente do corpo. O corpo apunhalado no vidro. Estilhaços de sangue cobrem os olhos. Me deito para descansar mas sei de cor que os convidados estão retidos pela chuva. Cubro os ouvidos para não ser atacada por lembranças. Elas afastam meus dedos e me cospem sorrisos cínicos de felicidade. Toma, vagabunda. A vingança que você merece. Olhos em bolas de cristal. Eu quis. Ficar cega e morrer de amor. Pequenas amêndoas.

25 março, 2009

sonhei com ana na antecâmara
caras e bocas no filme de celofane
ana me excita, filosoficamente
interrompi pra dizer bobagens em ouvido alheio
tenho urgência de voltar pra ana
marcas fundas no lábio entreaberto
pose que não dá prêmio
elegância demais pro meu bom-gosto
bom bom
ela sorri
eu afogo