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29 julho, 2013

EX-TERMINAR

e então é esse ranço, esse avanço
essa ausência de descanso
esse pequeno pranto manso
que desafoga os devires

as mãos estão livres
e daí?
não há onde segurar
na distância que se imprime

falsa é a mansidão
pois que afoga
horas e horas
essa rima frouxa
e sem solução

te ex-termino
baixinho
como água suja
que se es-vai
onde o ralo é puro es-pinho

há um nome feio
por baixo da minha boca
há o rímel
grudado na pálpebra
parece farpa?
é doce-insone-insosso-apenas-teu-nome

13 julho, 2013

Para Vinícius

Soneto que separa o som
Maçã, coração, neon
Sopra ao fim tudo que é bom
E deixa sobras como que de batom

A roupa morta na cama
Escama de peixe esquecida
A ferida não vale uma grama
No amargo mercado da vida

De repente, não mais que de repente
O poeta não sabe o que sente
Sua dor traz ao presente
Toda sombra outrora ardente

E do fim da espuma de sua boca
Brota o som do silêncio, a voz rouca
O seu nome é um pranto seco
E o seu eco, coisa mouca

27 maio, 2010

(L)evito

loucura que não larga
palavra pouca
insisto em mentir

citação que mantem acesa

"De repente não atinjo mais a cor do teu corpo. De repente
o recinto se enche de tipos curiosos, do fato de estarmos
pensando, da lastimável distância entre nossos fantasmas.
De repente a lógica da tua mão me rasga: idealizo campos,
pombos e uma parede branca que ao acordar confundi com
céu. Confundi com céu.
De repente descubro que esta impossibilidade
é a matéria que trabalho, que comigo desenho no ceruo das tuas
pernas, que obedeço e desobedeço como que me rasgando."

Ana C.
por um intervalo curto,
uma marcha lenta,
em ré menor

19 maio, 2009

Imagens partem do estômago em direção aos olhos.
Liquefaz.
Tontura corrente nas veias abertas.

14 abril, 2009

me ofereça uma pica
para eu fazer um pica-dinho

28 março, 2009

Não posso ler
poemas de amor
me farfalho lancinante
me lancino farfalhante
ela não virá
nunca mais
avesso

a palavra fica em cima
da corda bamba
quando eu leio quer cair
se cai meu coraçãozinho se esborracha
ai, essa vida de intelectual
essa panca de intelectual
essa pose
me passa

25 março, 2009

sonhei com ana na antecâmara
caras e bocas no filme de celofane
ana me excita, filosoficamente
interrompi pra dizer bobagens em ouvido alheio
tenho urgência de voltar pra ana
marcas fundas no lábio entreaberto
pose que não dá prêmio
elegância demais pro meu bom-gosto
bom bom
ela sorri
eu afogo

30 dezembro, 2008

Itaú Bankline [Mais de 300 operações on-line feitas para você ganhar tempo.]

não há relógios
e eu não sei mais dançar
tédio tédio
oremos todos por bons champanhes no ano novo e umas férias na praia

morri umas trocentas vezes ontem vendo o jornal
depois bebi até ficar suficientemente sã pra encontrar o caminho da luz

é um fato, sim, o espírito de natal cai na cabeça das pessoas
as que não ficam burras morrem de tanto amor no coração

abaixo a cabeça e olho meus braços gordos
minhas pernas gordas
e penso em fazer um churrasco

é uma pena ter virado vegetariana, essa comida podia suprir as crianças desnutridas

VIVA

viva viva viva
ou carregue a morte nos ombros sem reclamar