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02 setembro, 2013

No mais a vida corre leve leve entre os dias. O coração por corredores escuros se perde mas retorna sempre. Se labirinta.

20 agosto, 2013

ô coisa desalentada isso de estar vivo, ter um coração

13 julho, 2013

Para Vinícius

Soneto que separa o som
Maçã, coração, neon
Sopra ao fim tudo que é bom
E deixa sobras como que de batom

A roupa morta na cama
Escama de peixe esquecida
A ferida não vale uma grama
No amargo mercado da vida

De repente, não mais que de repente
O poeta não sabe o que sente
Sua dor traz ao presente
Toda sombra outrora ardente

E do fim da espuma de sua boca
Brota o som do silêncio, a voz rouca
O seu nome é um pranto seco
E o seu eco, coisa mouca

27 janeiro, 2011

Quando leio Ana C. tenho vontade de colocar as duas mãos dentro da boca e revirar do avesso minha arcada dentária. Não sei se isso é imaturidade literária. Em todo caso, a sensação é boa.

27 maio, 2010

(L)evito

loucura que não larga
palavra pouca
insisto em mentir

citação que mantem acesa

"De repente não atinjo mais a cor do teu corpo. De repente
o recinto se enche de tipos curiosos, do fato de estarmos
pensando, da lastimável distância entre nossos fantasmas.
De repente a lógica da tua mão me rasga: idealizo campos,
pombos e uma parede branca que ao acordar confundi com
céu. Confundi com céu.
De repente descubro que esta impossibilidade
é a matéria que trabalho, que comigo desenho no ceruo das tuas
pernas, que obedeço e desobedeço como que me rasgando."

Ana C.

02 maio, 2009

Procuro no escuro os traços da boca, beijo, mordo, me concentro. Não encontro. Boca que desmancha, prende-se na minha, pequena, sagaz, fruta madura, morango desmanchado. Eis o processo de encontrar-se novamente. Mas perdida em poros, sons, tempo-espaço, densidade, lágrimas e gotas de chuva. Lambidas na janela do quarto. A cama ausente do corpo. O corpo apunhalado no vidro. Estilhaços de sangue cobrem os olhos. Me deito para descansar mas sei de cor que os convidados estão retidos pela chuva. Cubro os ouvidos para não ser atacada por lembranças. Elas afastam meus dedos e me cospem sorrisos cínicos de felicidade. Toma, vagabunda. A vingança que você merece. Olhos em bolas de cristal. Eu quis. Ficar cega e morrer de amor. Pequenas amêndoas.

21 abril, 2009

Inutilidade Gritante

Procuro uma metáfora. Uma metáfora que me deixe feliz ao definir o estado em que me encontro. Mascaradamente. Não gosto de ser limpa. Penso que toda vez que houver possibilidade de encontros inesperados com antigos amantes, ficarei tonta e desmaiarei quase que imperceptivelmente. Oh! Quero vomitar. Não, quero gritar. Quero gritar e vomitar ao mesmo tempo. Tirar esse espírito que me possui o corpo. Hum... uma metáfora. Infelizmente não atingi ainda o bom gosto desejável à alusão pretendida e por isso devo continuar. Lastimável. Quero dizer claramente que desejo vomitar e que todas as células do meu corpo desejam vomitar. Mitocôndrias, núcleos, ribossomos, complexos de golgi. Ah, não me condene, por favor. Eu só quero encontrar uma metáfora capaz de dialogar com as questões atuais do mundo e porque não dizer do universo e, ao mesmo tempo me afirmar como parte integrante do círculo evolutivo da humanidade, com minhas garras de animal feroz-instintivo-irracional. Quero vomitar e comer ao mesmo tempo. Meu desejo de sangue e carne corrói o pequeno cérebro. Não, não sou nenhum bufante. Quero é bufar no seu pescoço antes da mordida fatal. Fim. Este é o fim.

Procuro uma metáfora que me possua. Quero sair daqui correndo para atropelar todos os meus pedaços. Atropelar descaradamente todos os pedaços de todas as pessoas que eu desejo. Cuidado meu amor, hahaha. Procuro antecipar meu pensamento sobre a metáfora. Construo um ideograma fálico coberto de cores. Para destruí-lo depois. Falos me irritam. Quero destruir todos com meu cortador de unha. Quero ser a rainha da destruição de falos. Eu posso. Eu sei que sou capaz. Ah eu sei tanta coisa tanta coisa meu amor vem cá. A necessidade me consome. Imageticamente decepo cabeças à minha frente com a língua afiada. Imageticamente à essas pessoas que desejam o imagético. Tenho pena. Por isso privilegio à essas cabeças o entrelaçamento ao meu corpo. Hum, hum, hum. Preparo delícias com o sanguezinho quente que delas jorrou. Tempero com especiarias trazidas diretamente do caminho das índias, tão internacional que sou. Esteja servido e logo continuamos o papo. Hum, hum.

25 março, 2009

sonhei com ana na antecâmara
caras e bocas no filme de celofane
ana me excita, filosoficamente
interrompi pra dizer bobagens em ouvido alheio
tenho urgência de voltar pra ana
marcas fundas no lábio entreaberto
pose que não dá prêmio
elegância demais pro meu bom-gosto
bom bom
ela sorri
eu afogo